Na trama, Jack (o equivalente a João, alcunha pelo qual o personagem ficou conhecido na versão do conto em língua portuguesa) é o responsável por estabelecer uma ponte entre o mundo em que vive e uma terra habitada por temíveis gigantes, o que reaviva um antigo confronto. Cabe a Jack juntar-se a cavalaria do rei para garantir a segurança do reino e resgatar a princesa.
Logo nos minutos iniciais, a produção já inspira tédio. Um prólogo arrastado que narra a origem da rincha entre gigantes e humanos arranca bocejos do espectador. A partir daí é um suplício conseguir manter os olhos abertos. Afinal, o enredo se desenvolve a passos claudicantes. Sem conseguir prender a atenção ou despertar curiosidade. Além disso, são tantos os lugares-comuns que não é preciso ser um vidente para predizer o que vem a seguir.
Até mesmo os momentos de ação são sonolentos, o que fazem das duas horas de projeção uma eternidade.
O roteiro nada mais é do que um desfile das mais variadas incongruências. Existe uma linha tênue que divide licença poética de verossimilhança. Uma não fundamenta a outra aqui.
A condução de Bryan Synger (conhecido por seu trabalho na franquia X-Man) é bem intencionada, mas não eficaz. Sendo a adaptação de uma fábula, é de primazia que ele paute pela lição de moral e um final feliz. Por isso, não mede esforços pra concentrar os holofotes no casal protagonista e o caminho da ascensão de Jack.
Outro motivo que causa desapontamento é ver atores com carreiras consolidadas se prestarem ao que parecem ser os piores papeis de suas trajetórias. Nicholas Hoult se restringe a um vocabulário parco de expressões e apresenta um show de canastrice. Ewan McGregor dá vida a um pomposo guarda real, cujo topete é indestrutível. Faça chuva ou faça sol, a madeixa continua firme, irretocável, hasteada como a bandeira total da sua metrossexualidade. Já Stanley Tucci interpreta um vilão insosso, nada consistente.
O 3D não acrescenta a história. Não seria capaz de notar diferença alguma se assistisse uma cópia em segunda dimensão do filme.
O visual do longa também peca. Apesar de reservar bons efeitos especiais, o design dos gigantes é decepcionante. De um CGI de muito mal gosto. Intragável.
“Jack – O caçador de Gigantes” reúne todas as características de um filme exibido na Sessão da Tarde: é despretensioso, exagerado e muito pueril. Me surpreendeu o fato de não ter sido lançado direto para o mercado de home vídeo por aqui, pois a película apresentou péssimos resultados nas bilheterias americanas.
Dada as circunstâncias, é melhor que os produtores se conscientizem de que dessa galinha, já não é mais possível arrancar ovos de ouro. Porque com andar da carruagem, é bem provável que queiram produzir uma versão pós-apocalíptica de Cinderela.
AVALIAÇÃO: 2,0
Por: Luiz Brener

