#Resenha - Jack, Caçador de Gigantes




Tudo, quando em exagero, é ruim. Pena que a indústria hollywoodiana não considere essa máxima. Parece que ao longo destes últimos anos, repaginar histórias já conhecidas se tornou uma febre. Uma febre rentável. Só isto justifica as inúmeras releituras de contos de fadas que se acumulam por aí. A exemplo de João e Maria: Caçadores de Bruxas e Branca de Neve e o Caçador já estava na hora da fábula do garoto que barganha sua vaca por alguns feijões mágicos ganhar uma nova versão.

Na trama, Jack (o equivalente a João, alcunha pelo qual o personagem ficou conhecido na versão do conto em língua portuguesa) é o responsável por estabelecer uma ponte entre o mundo em que vive e uma terra habitada por temíveis gigantes, o que reaviva um antigo confronto. Cabe a Jack juntar-se a cavalaria do rei para garantir a segurança do reino e resgatar a princesa.

Logo nos minutos iniciais, a produção já inspira tédio. Um prólogo arrastado que narra a origem da rincha entre gigantes e humanos arranca bocejos do espectador. A partir daí é um suplício conseguir manter os olhos abertos. Afinal, o enredo se desenvolve a passos claudicantes. Sem conseguir prender a atenção ou despertar curiosidade. Além disso, são tantos os lugares-comuns que não é preciso ser um vidente para predizer o que vem a seguir.




Até mesmo os momentos de ação são sonolentos, o que fazem das duas horas de projeção uma eternidade. 
O roteiro nada mais é do que um desfile das mais variadas incongruências. Existe uma linha tênue que divide licença poética de verossimilhança. Uma não fundamenta a outra aqui. 

A condução de Bryan Synger (conhecido por seu trabalho na franquia X-Man) é bem intencionada, mas não eficaz. Sendo a adaptação de uma fábula, é de primazia que ele paute pela lição de moral e um final feliz. Por isso, não mede esforços pra concentrar os holofotes no casal protagonista e o caminho da ascensão de Jack.  

Outro motivo que causa desapontamento é ver atores com carreiras consolidadas se prestarem ao que parecem ser os piores papeis de suas trajetórias. Nicholas Hoult se restringe a um vocabulário parco de expressões e apresenta um show de canastrice. Ewan McGregor dá vida a um pomposo guarda real, cujo topete é indestrutível. Faça chuva ou faça sol, a madeixa continua firme, irretocável, hasteada como a bandeira total da sua metrossexualidade. Já Stanley Tucci interpreta um vilão insosso, nada consistente.

O 3D não acrescenta a história. Não seria capaz de notar diferença alguma se assistisse uma cópia em segunda dimensão do filme. 

O visual do longa também peca. Apesar de reservar bons efeitos especiais, o design dos gigantes é decepcionante. De um CGI de muito mal gosto. Intragável. 

“Jack – O caçador de Gigantes” reúne todas as características de um filme exibido na Sessão da Tarde: é despretensioso, exagerado e muito pueril. Me surpreendeu o fato de não ter sido lançado direto para o mercado de home vídeo por aqui, pois a película apresentou péssimos resultados nas bilheterias americanas.  

Dada as circunstâncias, é melhor que os produtores se conscientizem de que dessa galinha, já não é mais possível arrancar ovos de ouro. Porque com andar da carruagem, é bem provável que queiram produzir uma versão pós-apocalíptica de Cinderela. 

AVALIAÇÃO: 2,0

Por: Luiz Brener