Os Miseráveis (Les Misérables)

Musicais. Quase sempre me decepciono com eles, pois há momentos que diálogos simples cantados nos deixam com uma sensação de "pra quê isso?", porém, Os Miseráveis, clássico da literatura Francesa publicado em 1862 escrito por Victor Hugo e adaptado às telonas pelo britânico Tom Hooper (O discurso do Rei), não me decepcionou. Com nomes de peso do cinema mundial como Hugh Jackman, Anne Hathaway e Russel Crowe, ao mesmo tempo com caras novas como Aaron Tveit, Amanda Seyfried e Samantha Barks o filme não nos decepciona, mas também não impressiona em larga escala.
A história original é muito longa e dividida em cinco volumes, por isso tenha dado a impressão à alguns espectadores que já conheciam a história de que foi muito curto, ou, faltaram detalhes, mas, para a grande maioria, foi um filme muito longo e por vezes interminável.
Tudo gira em torno da vida de Jean Valjean (Jackman) até a sua morte. Valjean é um prisioneiro, acorrentado por 19 anos com a acusação de roubar um pedaço de pão para alimentar seus sobrinhos e inúmeras tentativas de fuga. Ao final de sua pena é libertado em condicional e deve se apresentar periodicamente à justiça por ser considerado um homem perigoso. Quando encontra um ato de bondade de um bispo ele não se contém e rouba novamente, agora aquele que lhe estendeu à mão. Porém é pego e quando levado à vitima, o bispo o dá uma nova chance, de viver uma vida digna. Pois bem, a jornada do filme começa aí, Valjean prospera porém foge de suas obrigações com a justiça, o que o transforma em um fugitivo.Sr. Madeleine como agora é conhecido, é o prefeito de uma pequena cidade fabril, cujo anos mais tarde receberia seu algoz o Inspetor Javert (Crowe) como chefe de policia. Em sua apresentação ao prefeito, acontece um acidente e o Sr. Madeleine é chamado para ajudar, mostrando uma força incomum e visto com uma expressão familiar, Valjean é reconhecido por Javert, e a caçada começa. 
Paralelamente, acontece a história de Fantine (Hathaway), uma operária da fábrica do Sr. Madeleine que é demitida após a descoberta pelas colegas de que tem uma filha, tornando-se uma miserável também. Seu sofrimento muito bem retratado rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante à Anne Hathaway e sem dúvida merecidamente. Valjean em sua fuga, descobre Fantine e sua história, sente então um remorso e quer ajudar criando sua filha em seu lugar. 
Deste momento em diante várias histórias são contadas, personagens entram e saem da trama, sempre envolvendo o espectador, temos a sensação de que estamos há dias vendo aquela história sem a sensação de fadiga, pelo contrário, esperamos ansiosamente por cada cena a seguir. Lutas por ideais como a liderança dos estudantes por Enjolras (Tveit), Paixões entre Eponine(Samantha Barks) e Marius (Eddie Redmayne) e Marius com Cosette (Seyfried), a atuação cômica de Sacha Baron Cohen e sem dúvida a que mais me marcou no filme, Inspetor Javert, caracterizado por Russell Crowe, no qual me surpreendeu de maneira positiva.
O diretor teve muita dificuldade em contar todas essas histórias em apenas um filme, o que para muitos não agradou, mas, de um modo geral, foi o melhor que ele conseguiu fazer, sendo assim não podemos culpá-lo por isso. 
É uma literatura rica em detalhes, cheia de sofrimento, paixão, lutas, desilusão, ódio, entre vários outros sentimentos que tocam a platéia.
Os Miseráveis levam consigo uma história conhecida há tempos, porém contada de uma maneira jamais vista. Uma boa escolha sem dúvida, se emoção é o que você procura.

Nota .:. Comente .:. 8,5